O sábado é um dos temas mais debatidos entre estudiosos da Bíblia. Algumas denominações ensinam que ele deve ser guardado até hoje, enquanto outras defendem que, na nova aliança, Cristo é o verdadeiro descanso do povo de Deus. Mas qual é o real significado do sábado? O que Hebreus quatro quer nos ensinar ao dizer que "ainda resta um descanso para o povo de Deus"?
Neste estudo, examinaremos:
1. O sábado na criação e na lei mosaica
2. O descanso em Hebreus quatro e seu significado espiritual
3. O que Paulo ensina sobre trabalho e descanso
4. Cristo como o verdadeiro sábado
Nosso objetivo é compreender se os cristãos precisam guardar o sábado e o que essa prática representa para nós hoje.
1. O sábado na criação e na lei mosaica
A primeira menção ao sábado ocorre na criação:
“E havendo Deus terminado no dia sétimo a sua obra, que fizera, descansou nesse dia de toda a sua obra que tinha feito. E abençoou Deus o dia sétimo e o santificou.” (Gênesis 2:2-3)
Aqui, Deus não descansou porque estava cansado (Isaías 40:28), mas porque sua obra estava completa. Esse descanso não foi um mandamento para a humanidade nesse momento, apenas uma ação divina.
O sábado tornou-se um mandamento específico para israel quando Deus deu a lei a Moisés:
"Lembra-te do dia do sábado, para o santificar... porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso, o SENHOR abençoou o dia do sábado e o santificou." (Êxodo 20:8,11)
O sábado era um sinal exclusivo da aliança entre Deus e Israel:
"Certamente guardareis os meus sábados; pois é um sinal entre mim e vós pelas vossas gerações." (Êxodo 31:13)
Além disso, Deus relembrou Israel que eles deveriam guardar o sábado como memorial de sua libertação do Egito:
“E te lembrarás de que foste servo na terra do Egito e que o SENHOR, teu Deus, te tirou dali com mão poderosa; pelo que o SENHOR, teu Deus, te ordenou que guardasses o dia de sábado.” (Deuteronômio 5:15)
Dessa forma, o sábado era tanto um sinal da criação quanto um memorial da libertação de Israel, e fazia parte da lei dada exclusivamente aos judeus.
2. O descanso em Hebreus quatro e seu significado espiritual
Quando chegamos a Hebreus quatro, o autor nos ensina que o sábado era uma sombra de um descanso maior:
"Porque, se Josué lhes houvesse dado descanso, não falaria, depois disso, de outro dia." (Hebreus 4:8)
Isso significa que o verdadeiro descanso de Deus não era apenas um dia da semana ou uma terra física (Canaã), mas algo mais profundo. A verdadeira promessa não foi plenamente cumprida no Antigo Testamento, pois Israel nunca entrou nesse descanso perfeito devido à desobediência (Hebreus 3:18-19).
Hebreus 4:9-10 nos dá a resposta: "Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus. Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou das suas obras, como Deus das suas."
Esse descanso não se refere a um dia da semana, mas à salvação em Cristo. Quando confiamos na obra de Jesus, paramos de tentar alcançar a justificação por meio da lei e descansamos na graça de Deus (Efésios 2:8-9).
Por isso, Paulo ensina: “Ninguém vos julgue por causa de comida, ou bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.” (Colossenses 2:16-17)
O sábado era apenas uma sombra, apontando para a realidade maior: Jesus Cristo.
3. O que Paulo ensina sobre trabalho e descanso?
Paulo não ordenou a guarda do sábado, mas enfatizou a importância do trabalho. Ele disse: “Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto: que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também.” (2 Tessalonicenses 3:10)
E também afirmou:
“Trabalhamos de noite e de dia, para não sermos pesados a nenhum de vós.” (2 Tessalonicenses 3:8)
Isso mostra que o foco de Paulo não era um descanso físico baseado na guarda de um dia específico, mas a responsabilidade cristã de viver uma vida equilibrada, confiando no descanso que Cristo oferece.
Além disso, ele ensinou que guardar dias específicos era uma questão de consciência individual:
"Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja plenamente convicto em sua própria mente." (Romanos 14:5)
Isso confirma que o sábado não é uma obrigação para os cristãos, mas sim uma escolha pessoal.
4. Cristo como o verdadeiro sábado
Jesus declarou: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei." (Mateus 11:28)
Ele é o descanso prometido. No Antigo Testamento, o povo descansava no sábado físico. No Novo Testamento, encontramos descanso na obra consumada de Cristo.
No evangelho de João, Jesus realiza milagres no sábado e declara: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.” (João 5:17)
Isso mostra que o sábado mosaico estava sendo substituído por uma nova realidade em Cristo.
Conclusão:
1. O sábado foi dado como um sinal exclusivo entre Deus e Israel na antiga aliança.
2. Hebreus quatro ensina que o verdadeiro descanso não é um dia da semana, mas a salvação em Cristo.
3. O sábado era uma sombra, apontando para o descanso que Jesus nos oferece.
4. Paulo nunca ensinou a guardar o sábado, mas sim a trabalhar e confiar no descanso em Cristo.
5. Os cristãos não são obrigados a guardar o sábado, pois nosso descanso é espiritual e eterno.
Portanto, não precisamos guardar o sábado como uma lei mosaica, porque Cristo já cumpriu esse mandamento e nos convida a descansar Nele todos os dias. Nosso sábado não é um dia da semana, mas uma vida de descanso na graça de Deus.